Mudanças no ensino no Brasil: do público ao privado
O crescimento das escolas no Brasil trouxe diversas mudanças no objetivo e na função social da educação no país. Entenda como foi esse processo os motivos por trás dele.
Era janeiro de 1995 quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o cargo de Presidente da República Federativa do Brasil. Nas eleições de 94, havia batido Luiz Inácio Lula da Silva e Enéas Ferreira Carneiro. Durante seu mandato, adotou políticas neoliberais, que se caracterizavam, no geral, por uma ação cada vez mais reduzida do Estado.
Com isso, a educação brasileira, cujo caráter era majoritariamente público, voltou a ganhar força na área privada. Liberadas as exigências acadêmicas de qualificação e certificação, o ensino público é forçado à enquadrar-se nas leis de mercado. Uma vez que o Estado assume não mais garantir a qualidade dos serviços públicos ofertados, o setor privado cresce exponencialmente.
Isso porque, assim como a Saúde, a Educação gira cifras muito altos. “Ter uma boa formação é pré-requisito para garantir boa remuneração e quem sabe fazer parte do seleto grupo da elite econômica brasileira”, diz Fernando César Ribeiro, formado em História e professor há 11 anos.
A Anima Educação, por exemplo, grupo que possui algumas universidades dos estados de São Paulo e Minas Gerais, teve um lucro líquido de R$45,2 milhões no primeiro trimestre de 2014, segundo o site Valor Econômico.
Hoje, o que vemos é um ensino público de base despreparado e muito mais voltado à questão numérica do que à formação de indivíduos. No entanto, na década de 60, o Brasil quase viu seu Plano de Educação ser completamente reestruturado. Paulo Freire, em 61, se tornou Diretor do Departamento de Extensões Culturais da Universidade do Recife e realizou algumas experiências de alfabetização popular. Essas aplicações vieram a formar o Método Paulo Freire. O governo João Goulart, que se empenhava nas reformas de base, aprovou a multiplicação do Método Paulo Freire de ensino em um Plano Nacional de Alfabetização.
Com o Golpe de 64, no entanto, essa tentativa foi extinta. O ensino sofreu, de fato, alterações. Disciplinas como Sociologia e Filosofia foram banidas, com o intuito de formar indivíduos que não pensassem de forma contrária ao governo.
As políticas neoliberais de FHC, como a aprovação em 1996 das Leis de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB) que deu certa autonomia às escolas, porém, foram na direção oposta à Ditadura Militar. O número de escolas privadas cresceu de forma acelerada, suprindo, em partes, aquilo que a Educação pública não conseguia oferecer.
Hoje, o estudo particular surge com uma função primordial: “atender à elite nacional através de um currículo diferenciado da rede pública”, como conta Fernando César Ribeiro. O professor vai além: para ele, as escolas privadas aparecem “também no contexto da luta de classes, a disposição da elite de não ser pertencente ao espaço público, o qual sugere que todos são iguais”, diz.
Reportagem: Rodrigo Trovarelli
Produção Multimídia: Isadora Souza
Edição: Amanda Tavares